quinta-feira, 8 de julho de 2010

A questão do género: A luta por uma igualdade de direitos e oportunidades

Permitam-me os leitores ser já bem claro sobre a minha posição sobre a questão da igualdade de direitos entre homens e mulheres, aquilo que chamo no título de a questão do género. Considero-me uma pessoa de mente aberta e já várias vezes falei neste blog sobre a evolução humana e é neste sentido que declaro o meu repúdio e profundo desgosto por ser ainda necessário falar sobre este assunto, ou seja, o facto de existir ainda sequer uma “questão” a ser debatida.

Digo isto porque sou da firme opinião de que apesar das óbvias diferenças fisiológicas, não existe qualquer fundamento ou razão para existir uma diferenciação nos direitos e oportunidades concedidos conforme o sexo. Mais afirmo que me irrita profundamente ouvir falar em coisas como Declaração Universal dos Direitos do “Homem” ou o Dia Internacional da Mulher, por exemplo. Defendendo e acreditando piamente nos direitos à dignidade e igualdade de toda a Humanidade, não posso aceitar que o documento onde se afirmam os direitos fundamentais de cada um seja assim traduzido, dando a ideia de que só abrange o sexo masculino. Na mesma linha, também afirmo que somente quando não existir Dia Internacional da Mulher é que a igualdade de direitos e oportunidades estará consagrada. È óbvio que é necessário agora, como lembrança do combate que ainda é necessário fazer, mas o objectivo será que deixe de o ser e sinceramente gostaria de ter a satisfação de comemorar o último.

Terão certamente compreendido que este é um assunto que tem para mim grande importância. Assim o é porque tive a infelicidade de ter sido educado para ser mais um machista, homofóbico, misógino e racista, sem qualquer respeito pelos direitos das mulheres assim como de qualquer um que fosse diferente do que a sociedade definisse como a norma. Felizmente que tive também a oportunidade e o discernimento de aprender a respeitar a diferença e de reconhecer que não é por alguém ser diferente de mim que devo agir de forma discriminatória, e assim fugir ao papel que a sociedade me reservava. Além disso, estou também plenamente consciente da realidade histórica que nos conta das campanhas movidas por homens ao longo de milhares de anos para denegrir as mulheres com o objectivo de reduzir a sua importância e poder na família e na sociedade.

Não tenho qualquer dúvida que a discriminação de que as mulheres foram vítimas ao longo da História se deveu a questões de poder. Aliás, afirmarei mesmo que as grandes discriminações históricas e actuais tiveram e têm sempre por fundamento aumentar o poder de quem discrimina face ao que é discriminado. Tal como a discriminação racial tem levado à escravatura e ao genocídio, a discriminação sexual tem levado à submissão da mulher, sempre culminando no aumentar do poder de quem controla a discriminação. O Holocausto judaico na 2ª Guerra Mundial e a forma como as mulheres são retratadas na Bíblia são óptimos exemplos.  

A questão da igualdade de género é um problema social e criado pela sociedade. Milhares de anos de História e a evolução das sociedades humanas levaram à criação de modelos de vida que colocaram as mulheres em inferioridade perante os homens criando a falsa ideia de um “sexo frágil”. A origem deste fenómeno será difícil de situar no tempo mas remonta certamente às primeiras sociedades tribais humanas, onde a maior força física dos homens os terá colocado em situação de poder e supremacia. Ao longo dos tempos, e à medida da evolução das sociedades essa supremacia foi sendo afirmada de formas cada vez mais sofisticadas, criando-se uma situação em que os papéis de homens e mulheres ficaram claramente definidos, em prejuízo das mulheres. Não nego que houve sociedades em que a realidade era diferente, mas acredito que terão sido uma minoria. Caso contrário, esta situação poderia já nem existir.

Sendo um problema social, deve ser a sociedade a resolvê-lo. E assim tem sido feito nas sociedades dos países mais desenvolvidos, tendo o século XX sido marcado grandes conquistas no sentido da igualdade entre géneros. No entanto ainda há muito a fazer pois apesar de muitas sociedades já consignarem a igualdade de direitos nas suas leis fundamentais, a igualdade de oportunidades está ainda muito longe de ser a regra. Falta ainda também uma revolução nas mentalidades que consagre o respeito mútuo entre mulheres e homens e que permita o fim de aberrações como a violência doméstica e a mutilação genital feminina. Finalmente, falta também alargar esta luta e estes direitos a sociedades um pouco por todo o mundo que ainda estão sob o domínio de tradições milenares que promovem a desigualdade.

Por mim, tenho o maior respeito pelas mulheres e apesar da educação que me foi imposta, sempre as tratei como iguais. Neste sentido, acredito que o caminho do futuro, no que a esta questão se reporta, passa pelo aceitar das diferenças que existem e caminhar para uma igualdade de direitos e oportunidades alicerçada no respeito mútuo. Assim, espero que as conquistas do século XX continuem no presente século e que as novas gerações deste mundo globalizado possam levar esta luta a bom termo, o que me parece estar já a acontecer. 

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