terça-feira, 3 de agosto de 2010
Sem tempo para escrever...
quinta-feira, 22 de julho de 2010
A revisão constitucional e o oportunismo do PSD
quinta-feira, 8 de julho de 2010
A questão do género: A luta por uma igualdade de direitos e oportunidades
quinta-feira, 1 de julho de 2010
O estigma da licenciatura: como perder um emprego em segundos
As guerras privadas do Youtube e o "Trolling"
segunda-feira, 28 de junho de 2010
O Mundial 2010 e a prepotência da FIFA
Com ainda muito futebol para se ver no Mundial 2010 é lamentável que numa fase tão precoce da competição já seja possível concluir que este evento vai ficar definitivamente marcado pela teimosia e prepotência da FIFA. É lamentável ainda que o orgão máximo do futebol mundial continue a permitir a ocorrência de situações vergonhosas que nada beneficiam o desporto. Refiro-me concretamente aos casos das polémicas arbitragens nos jogos Inglaterra – Alemanha e Argentina – México, sem esquecer também as controvérsias que rodeiam a bola oficial e a irritantes vuvuzelas.
Começando pelos jogos deste fim de semana, marcados por erros de arbitragem absurdos com clara influência no decorrer dos acontecimentos, irei ao longo deste artigo demonstrar como a FIFA, concretamente na pessoa do seu presidente, o ultra-conservador e retrógrado Joseph Blatter, tem vindo a recusar qualquer contributo para a evolução positiva do futebol e com isso criado situações claramente injustas e incríveis.
Os casos de arbitragem a que me refiro são um óptimo exemplo do que digo. No jogo Inglaterra-Alemanha, numa situação em que a Alemanha vencia por 2-1, um jogador inglês remata contra a trave levando a bola a bater quase meio metro para lá da linha de baliza e depois sair. Todos viram que foi golo excepto a equipa de arbitragem e os alemães que naturalmente se fizeram de cegos. Perante esta injustiça, a equipa inglesa desmoralizou e acabou por sofrer mais dois golos, fixando o resultado em 4-1 a favor da Alemanha.
No jogo Argentina – México aconteceu uma situação semelhante. Carlos Tevez, em clara situação de fora de jogo, marcou o 1º golo da partida, validado pelo árbitro seguindo a indicação do seu auxiliar perante a incredulidade da equipa mexicana. O mais fantástico é que todo o estádio viu o fora de jogo através dos ecrãs gigantes, incluindo a equipa de arbitragem, mas o certo é que a atribuição do golo se manteve. Novamente, a equipa prejudicada acusou o choque e sofreu logo de seguida um golo oferecido pela sua defesa, claramente incapaz de reagir ao que se tinha passado. O resultado final acabou 3-1 a favor da Argentina. Salvou-se desta vergonha o fantástico 2º golo de Carlos Tevez, talvez o melhor golo do mundial até agora.
Em ambos os jogos uma decisão errada da arbitragem alterou profundamente o decorrer dos acontecimentos e contribuiu para a vitória das equipas beneficiadas. Sem tirar o mérito à Alemanha e à Argentina, é no entanto certo que esta situação os favoreceu. O que para mim é fantástico é que num Mundial transmitido em HD e 3D, com possibilidade de interagir com a emissão das mais variadas formas, com software de análise de jogo avançado que permite registar variadas estatísticas, não haja ainda uma forma de aproveitamento das novas tecnologias que permita combater este género de injustiças e repor a verdade desportiva. E porque é que não há? Porque o senhor Joseph Blatter não quer, porque as tecnologias até existem.
Sinceramente não vejo qual o problema de consultar as repetições televisivas em situações difíceis de decidir. Não digo que se pare o jogo a toda a hora para confirmar decisões visionando as imagens, mas pelo menos em situações de golo ou de grande penalidade isso podia ser feito e na maior parte dos casos, em poucos segundos. Também não compreendo qual a dificuldade de ter um microchip na bola e sensores na baliza para confirmar a existência de um golo, entre outras possibilidades tecnológicas.
O que é certo é que se o futebol não evolui usando as tecnologias ao seu dispor é porque a FIFA não quer. Aliás, quer parecer que a organização não está disposta a aceitar qualquer tipo de sugestão de como reger o futebol. A grande prova é a questão das vuvuzelas, consideradas por especialistas médicos como um perigo para a audição e criticadas por jogadores, treinadores, espectadores e mesmo membros da FIFA como perturbadoras da concentração requerida em alta competição, e que Joseph Blatter se recusa a banir dos estádios. E nem me vou alongar sobre os problemas com a bola oficial, que mais parece uma bola comprada no supermercado da esquina.
A única conclusão a que posso chegar ao considerar estas questões é que tudo isto se passa porque o senhor presidente da FIFA governa o organismo com mão de ferro e é averso a qualquer opinião que não a sua. O mais grave é que aparentemente pretende recandidatar-se ao cargo. Fica aqui a sugestão: reforme-se e deixe o destino do futebol nas mãos de quem o possa levar para a renovação necessária, melhorando o espectáculo e salvaguardando a verdade desportiva.
sábado, 26 de junho de 2010
Barack Obama: A melhor esperança da Humanidade?
Inicio este artigo com um desafio, quem sabe uma provocação. Será Barack Obama a melhor esperança da Humanidade num momento critico da história como é o que vivemos? Por certo esta pergunta poderá parecer descabida a muitos, talvez até ridícula. Talvez muitos se interroguem como pode um só homem assumir tal papel e ser o motor de uma mudança muito necessária na forma como vemos e vivemos o nosso mundo. No entanto, foi com essa atitude que muitos um pouco por todo o mundo encararam a eleição de Barack Obama para o cargo de Presidente dos EUA há cerca de ano e meio.
Apoiado por uma campanha magistralmente regida que soube quebrar com o tradicionalismo eleitoral dos EUA, aproveitar as potencialidades das novas tecnologias e gerar uma massa critíca de apoio de base local motivada e activa, Obama surgiu perante o seu país e até perante o Mundo como uma figura messiânica com a capacidade de mudar o rumo a um barco que caminhava inexoravelmente para o abismo. A sua campanha e a sua figura criaram um mito de tal forma intenso que espalhou uma onda de esperança enorme que aproveitando a supremacia cultural americana se estendeu a todos os cantos do Mundo. Gerou um consenso tão grande em torno de si que levou a comunidade internacional a comemorar a sua vitória como se da eleição de um Presidente do Mundo se tratasse.
Os problemas que afectam a Humanidade no princípio do século XXI são sobejamente conhecidos mas também muitas vezes esquecidos em favor do que são questões menores. Sabemos claramente que temos que lidar urgentemente com os problemas da crise económica e financeira, o aquecimento global, o esgotar dos recursos naturais, a pobreza e o HIV, o terrorismo e os conflitos locais, as disparidades de direitos e condições de vida que persistem ainda hoje entre muitas outras questões que nos afectam a todos.
Eu acredito que os povos um pouco por todo o Mundo começam a estar cientes de que o momento de agir é agora ou será tarde demais. O problema aqui é que os líderes dos povos, claramente afastados da realidade dos seus cidadãos, tardam em compreender e aceitar esta vontade global de mudança. Para tal contribuem também e de forma muito significativa os interesses e “lobbys” económicos, os meios de comunicação social e variadas forças políticas e religiosas. Para estes grandes “lobbys”, aquilo que interessa essencialmente é manter o Mundo na ignorância e obscuridade como forma de perpetuar o seu poder e influência. No entanto, numa sociedade cada vez mais globalizada graças ao fenómeno da Internet e das redes sociais, não só a ignorância perante a realidade é cada vez menor, como a capacidade de mobilização daqueles que pretendem uma mudança é cada vez maior.
A novidade que Barack Obama trouxe à politica e ao Mundo foi uma nova forma de enfrentar os problemas, uma nova forma de comunicar com a sociedade e uma crença inabalável de que uma mudança é possível. Na minha opinião, a vitória de Obama foi uma vitória para humanistas, ambientalistas e activistas de todos os géneros, porque colocou na liderança da maior potência do Mundo alguém com a capacidade de ouvir a vontade dos povos e de agir conforme as necessidades destes, ao contrário do que foi a atitude e governação do seu antecessor. Foi esta capacidade de ruptura e de diferença que levaram à atribuição a Obama do Prémio Nobel da Paz, que apesar de precoce pela falta de obra realizada até então, serviu como forma de pressão e incentivo para que este cumpra as expectativas colocadas sobre ele.
Há que admitir no entanto que há uma grande diferença entre o mito e a realidade e por este motivo se explica a desilusão que surge já entre muitos dos que apoiaram Obama incondicionalmente. No fundo, um só homem não pode mudar o Mundo e certamente não de um dia para o outro. É necessário apoio, tempo e um combate feroz contra aqueles que retardam o progresso da Humanidade. Aqueles que agora criticam Obama deveriam lembrar-se que não é plausível desfazer em um ano e meio o que outro estragou durante oito anos. Deveriam também lembrar-se que não basta ficar sentados em casa à espera que outros resolvam os nossos problemas. Quem tem sede e fome de mudança deve lutar por ela activamente e acreditar que o mais pequeno dos contributos acumulado com os contributos de outros pode de facto fazer a diferença.
Neste sentido, será Obama a melhor esperança da Humanidade? Julgo que não, apesar de considerar que é definitivamente um actor importante neste momento de decisão critíca sobre o nosso futuro e um exemplo a seguir. Para mim, a melhor esperança da Humanidade é a própria Humanidade, que deve compreender que só com o esforço de todos podemos esperar um futuro melhor para todos. Assim, cabe a todos nós ser agentes desta mudança que se pretende, deste movimento da Humanidade para um novo patamar evolutivo, baseado na alteração e renovação das mentalidades.
terça-feira, 22 de junho de 2010
A Pena de Morte: Uma contradição inaceitável
sábado, 19 de junho de 2010
Homenagem a José Saramago
Como todos saberão, faleceu no dia de ontem aos 87 anos o único escritor português laureado com o Prémio Nobel da Literatura, José Saramago. Trata-se da perda de uma das maiores figuras da cultura portuguesa e uma das maiores referências na divulgação de Portugal no mundo.
Em primeiro lugar, gostaria de deixar uma palavra de apoio e condolências à sua família e amigos e expressar a minha empatia perante a sua dôr. A perda de um ente querido é sempre um dos momentos mais difíceis nas nossas vidas e creio que é nestes momentos que palavras de consolo e apoio se tornam mais necessárias. Tendo passado por esta experiência não há muito tempo, sinto-me solidário e o meu coração está com aqueles que foram mais próximos de Saramago e que agora o choram.
Creio que nenhuma vida é mais importante que outra, mas há vidas que marcam a diferença. José Saramago foi uma delas e por isso merece ser homenageado. De homem simples de aldeia, a acérrimo lutador pelas suas convicções, a autor reconhecido mundialmente, José Saramago salientou-se entre os demais pelo seu carácter frontal, muitas vezes polémico, mas sempre verdadeiro consigo mesmo. A sua obra, o legado que deixa para a Humanidade, bem reflectiu o seu ser, a sua personalidade, experiência de vida e a sua visão sobre a condição humana.
Confesso que muitas vezes discordei das suas posições, mas respeito-o pela coragem e frontalidade com que defendeu aquilo que acreditava. Como disse um dia Peter Benenson, fundador da Amnistia Internacional, “posso não concordar com o que dizes, mas lutarei até à morte para que o possas dizer”. É com este sentimento que recordo Saramago e é com este sentimento que o homenageio, como um homem de convicções fortes, um homem que entendeu o sentido da sua liberdade e ousou exprimi-la, um homem que não se curvou perante o medo de represálias e que se bateu até ao fim pela sua visão das coisas.
Morreu o homem, ficou a obra, eterna recordação daquilo que foi enquanto vivo e eterno legado para as gerações vindouras, e por isto o saúdo.
Adeus e até sempre, José Saramago.