segunda-feira, 28 de junho de 2010

O Mundial 2010 e a prepotência da FIFA

Com ainda muito futebol para se ver no Mundial 2010 é lamentável que numa fase tão precoce da competição já seja possível concluir que este evento vai ficar definitivamente marcado pela teimosia e prepotência da FIFA. É lamentável ainda que o orgão máximo do futebol mundial continue a permitir a ocorrência de situações vergonhosas que nada beneficiam o desporto. Refiro-me concretamente aos casos das polémicas arbitragens nos jogos Inglaterra – Alemanha e Argentina – México, sem esquecer também as controvérsias que rodeiam a bola oficial e a irritantes vuvuzelas.

Começando pelos jogos deste fim de semana, marcados por erros de arbitragem absurdos com clara influência no decorrer dos acontecimentos, irei ao longo deste artigo demonstrar como a FIFA, concretamente na pessoa do seu presidente, o ultra-conservador e retrógrado Joseph Blatter, tem vindo a recusar qualquer contributo para a evolução positiva do futebol e com isso criado situações claramente injustas e incríveis.

Os casos de arbitragem a que me refiro são um óptimo exemplo do que digo. No jogo Inglaterra-Alemanha, numa situação em que a Alemanha vencia por 2-1, um jogador inglês remata contra a trave levando a bola a bater quase meio metro para lá da linha de baliza e depois sair. Todos viram que foi golo excepto a equipa de arbitragem e os alemães que naturalmente se fizeram de cegos. Perante esta injustiça, a equipa inglesa desmoralizou e acabou por sofrer mais dois golos, fixando o resultado em 4-1 a favor da Alemanha.

No jogo Argentina – México aconteceu uma situação semelhante. Carlos Tevez, em clara situação de fora de jogo, marcou o 1º golo da partida, validado pelo árbitro seguindo a indicação do seu auxiliar perante a incredulidade da equipa mexicana. O mais fantástico é que todo o estádio viu o fora de jogo através dos ecrãs gigantes, incluindo a equipa de arbitragem, mas o certo é que a atribuição do golo se manteve. Novamente, a equipa prejudicada acusou o choque e sofreu logo de seguida um golo oferecido pela sua defesa, claramente incapaz de reagir ao que se tinha passado. O resultado final acabou 3-1 a favor da Argentina. Salvou-se desta vergonha o fantástico 2º golo de Carlos Tevez, talvez o melhor golo do mundial até agora.

Em ambos os jogos uma decisão errada da arbitragem alterou profundamente o decorrer dos acontecimentos e contribuiu para a vitória das equipas beneficiadas. Sem tirar o mérito à Alemanha e à Argentina, é no entanto certo que esta situação os favoreceu. O que para mim é fantástico é que num Mundial transmitido em HD e 3D, com possibilidade de interagir com a emissão das mais variadas formas, com software de análise de jogo avançado que permite registar variadas estatísticas, não haja ainda uma forma de aproveitamento das novas tecnologias que permita combater este género de injustiças e repor a verdade desportiva. E porque é que não há? Porque o senhor Joseph Blatter não quer, porque as tecnologias até existem.

Sinceramente não vejo qual o problema de consultar as repetições televisivas em situações difíceis de decidir. Não digo que se pare o jogo a toda a hora para confirmar decisões visionando as imagens, mas pelo menos em situações de golo ou de grande penalidade isso podia ser feito e na maior parte dos casos, em poucos segundos. Também não compreendo qual a dificuldade de ter um microchip na bola e sensores na baliza para confirmar a existência de um golo, entre outras possibilidades tecnológicas.

O que é certo é que se o futebol não evolui usando as tecnologias ao seu dispor é porque a FIFA não quer. Aliás, quer parecer que a organização não está disposta a aceitar qualquer tipo de sugestão de como reger o futebol. A grande prova é a questão das vuvuzelas, consideradas por especialistas médicos como um perigo para a audição e criticadas por jogadores, treinadores, espectadores e mesmo membros da FIFA como perturbadoras da concentração requerida em alta competição, e que Joseph Blatter se recusa a banir dos estádios. E nem me vou alongar sobre os problemas com a bola oficial, que mais parece uma bola comprada no supermercado da esquina.

A única conclusão a que posso chegar ao considerar estas questões é que tudo isto se passa porque o senhor presidente da FIFA governa o organismo com mão de ferro e é averso a qualquer opinião que não a sua. O mais grave é que aparentemente pretende recandidatar-se ao cargo. Fica aqui a sugestão: reforme-se e deixe o destino do futebol nas mãos de quem o possa levar para a renovação necessária, melhorando o espectáculo e salvaguardando a verdade desportiva.

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