A crise da democracria: a necessidade de combate ao alheamento da juventude
No entanto, e apesar de reconhecer o impacto global e real desta crise em todos os aspectos da vida quotidiana, sou da opinião de que todo o circo mediático em torno destas questões desviam a atenção de problemas estruturais, outras crises se assim o posso dizer, que ao serem resolvidas contribuiriam de forma significativa para um mais eficaz combate à actual conjuntura económica.
Refiro-me concretamente a três questões: o défice de participação cívica e política, a crise de valores e de cidadania, e o crescente descrédito das instituições políticas, financeiras e judiciais. Em suma, tudo factores interligados que contribuem decisivamente para uma crise do modelo de democracia não só a nível nacional, como também a nível mundial. São ainda questões que na minha sincera opinião afectam especialmente a juventude e são aí de especial importância, isto apesar de também reconhecer a transversalidade destes fenómenos em todas as faixas etárias.
Como militante da JS e como jovem, confesso que a interacção que observo entre a maioria da nossa juventude e as questões que acima levanto, assustam-me ainda mais do que a conjuntura económica. Assim sucede pois reconheço, como todos reconhecerão, que o futuro do nosso país e do mundo repousa nas mãos da juventude, que ainda se encontra demasiado alheada dos combates que definirão as suas condições de vida futuras e a concretização das suas expectativas.
Julgo que o que afirmo é notório e visível para qualquer um. É perfeitamente claro um afastamento e um desinteresse por parte de muitos jovens face à realidade política e económica do país e que volto a frisar é de suprema importância para os mesmos, pois é essa realidade que condicionará as suas possibilidades de emprego e realização profissional, a sua realidade familiar e a sua emancipação para a vida adulta.
Para este afastamento e desinteresse, a meu ver, muito têm contribuído os próprios sistemas políticos e financeiros e a classe política em particular. Basta observar com atenção as notícias lançadas diariamente pela comunicação social para compreender o porquê deste alheamento dos jovens e até da sociedade civil em geral. Todos os dias somos confrontados com notícias de alegados casos de prevaricação e corrupção nas instituições fundamentais ao país; podemos observar do conforto das nossas casas a especulação sem escrúpulos praticada nos mercados financeiros que atenta contra todos nós; e podemos observar o baixo nível a que chegou o combate político nacional numa altura em que o interesse nacional dita uma maior concertação e união face às dificuldades.
No passado dia 8 de Maio tive a oportunidade de ouvir o camarada Duarte Cordeiro afirmar num debate sobre emprego promovido pela JS Ribatejo que os jovens hoje não se revêem no discurso político, uma posição com a qual concordo. E é fácil de ver porquê, se fizermos uma análise das forças políticas eleitas para a Assembleia, que farei de seguida com toda a frontalidade.
Começando pela oposição de esquerda é notório que quer o PCP, quer o Bloco de Esquerda se têm pautado por posições extremistas, opondo-se ao Governo minoritário PS em qualquer instância, acusando-o de assumir políticas de direita. Já o CDS e o PSD tentam aproveitar ao máximo a situação delicada do país e do Governo para capitalizar ganhos políticos, deixando para o PS a tomada das medidas duras, impopulares, mas necessárias, salvaguardando as suas posições em preparação das próximas legislativas. Finalmente, temos o PS, que se encontra na duplamente desconfortável posição de ser minoritário e de ter de exigir grandes sacrifícios aos portugueses, queimando o seu capital político e a sua imagem, face à conjuntura de crise nacional.
Na minha opinião, esta conjuntura política além de prejudicar o país, afasta a sociedade das instituições governativas, criando um sentimento de angústia e de impotência que é difícil de ultrapassar. No caso dos jovens em particular isto assume contornos ainda mais graves, estando-se a criar uma geração de descrentes no sistema, uma geração de alheados da realidade do seu país, uma geração sem expectativas ou perspectivas de futuro.
Caros camaradas e amigos, digo que é tempo de mudar o rumo das coisas. Cabe às forças políticas renovar e assumir a responsabilidade de recuperar a confiança das populações e dos jovens em particular. Neste sentido, julgo que a JS tem um papel fundamental a desempenhar, através de um activismo sério e responsável, centrado na realidade e com objectivos concretos e exequíveis.
No Cartaxo, a semente está lançada com o renascer das cinzas da secção local e o bom trabalho desenvolvido em tão pouco tempo. Cabe a todos nós agora trabalhar para ganhar a confiança dos jovens que ainda não partilham a nossa luta, de chamar a nós aqueles que ainda hesitam e desconfiam da política e dar o exemplo de como podemos contribuir para uma mudança positiva quer a nível concelhio, quer a nível nacional.
Viva a Juventude! Viva Portugal!
Artur Caetano
Militante da JS Cartaxo
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