sábado, 19 de junho de 2010

Homenagem a José Saramago

Como todos saberão, faleceu no dia de ontem aos 87 anos o único escritor português laureado com o Prémio Nobel da Literatura, José Saramago. Trata-se da perda de uma das maiores figuras da cultura portuguesa e uma das maiores referências na divulgação de Portugal no mundo.

Em primeiro lugar, gostaria de deixar uma palavra de apoio e condolências à sua família e amigos e expressar a minha empatia perante a sua dôr. A perda de um ente querido é sempre um dos momentos mais difíceis nas nossas vidas e creio que é nestes momentos que palavras de consolo e apoio se tornam mais necessárias. Tendo passado por esta experiência não há muito tempo, sinto-me solidário e o meu coração está com aqueles que foram mais próximos de Saramago e que agora o choram.

Creio que nenhuma vida é mais importante que outra, mas há vidas que marcam a diferença. José Saramago foi uma delas e por isso merece ser homenageado. De homem simples de aldeia, a acérrimo lutador pelas suas convicções, a autor reconhecido mundialmente, José Saramago salientou-se entre os demais pelo seu carácter frontal, muitas vezes polémico, mas sempre verdadeiro consigo mesmo. A sua obra, o legado que deixa para a Humanidade, bem reflectiu o seu ser, a sua personalidade, experiência de vida e a sua visão sobre a condição humana.

Confesso que muitas vezes discordei das suas posições, mas respeito-o pela coragem e frontalidade com que defendeu aquilo que acreditava. Como disse um dia Peter Benenson, fundador da Amnistia Internacional, “posso não concordar com o que dizes, mas lutarei até à morte para que o possas dizer”. É com este sentimento que recordo Saramago e é com este sentimento que o homenageio, como um homem de convicções fortes, um homem que entendeu o sentido da sua liberdade e ousou exprimi-la, um homem que não se curvou perante o medo de represálias e que se bateu até ao fim pela sua visão das coisas.

Morreu o homem, ficou a obra, eterna recordação daquilo que foi enquanto vivo e eterno legado para as gerações vindouras, e por isto o saúdo.

Adeus e até sempre, José Saramago.

Sem comentários: