sábado, 26 de junho de 2010

Barack Obama: A melhor esperança da Humanidade?

Inicio este artigo com um desafio, quem sabe uma provocação. Será Barack Obama a melhor esperança da Humanidade num momento critico da história como é o que vivemos? Por certo esta pergunta poderá parecer descabida a muitos, talvez até ridícula. Talvez muitos se interroguem como pode um só homem assumir tal papel e ser o motor de uma mudança muito necessária na forma como vemos e vivemos o nosso mundo. No entanto, foi com essa atitude que muitos um pouco por todo o mundo encararam a eleição de Barack Obama para o cargo de Presidente dos EUA há cerca de ano e meio.

Apoiado por uma campanha magistralmente regida que soube quebrar com o tradicionalismo eleitoral dos EUA, aproveitar as potencialidades das novas tecnologias e gerar uma massa critíca de apoio de base local motivada e activa, Obama surgiu perante o seu país e até perante o Mundo como uma figura messiânica com a capacidade de mudar o rumo a um barco que caminhava inexoravelmente para o abismo. A sua campanha e a sua figura criaram um mito de tal forma intenso que espalhou uma onda de esperança enorme que aproveitando a supremacia cultural americana se estendeu a todos os cantos do Mundo. Gerou um consenso tão grande em torno de si que levou a comunidade internacional a comemorar a sua vitória como se da eleição de um Presidente do Mundo se tratasse.

Os problemas que afectam a Humanidade no princípio do século XXI são sobejamente conhecidos mas também muitas vezes esquecidos em favor do que são questões menores. Sabemos claramente que temos que lidar urgentemente com os problemas da crise económica e financeira, o aquecimento global, o esgotar dos recursos naturais, a pobreza e o HIV, o terrorismo e os conflitos locais, as disparidades de direitos e condições de vida que persistem ainda hoje entre muitas outras questões que nos afectam a todos.

Eu acredito que os povos um pouco por todo o Mundo começam a estar cientes de que o momento de agir é agora ou será tarde demais. O problema aqui é que os líderes dos povos, claramente afastados da realidade dos seus cidadãos, tardam em compreender e aceitar esta vontade global de mudança. Para tal contribuem também e de forma muito significativa os interesses e “lobbys” económicos, os meios de comunicação social e variadas forças políticas e religiosas. Para estes grandes “lobbys”, aquilo que interessa essencialmente é manter o Mundo na ignorância e obscuridade como forma de perpetuar o seu poder e influência. No entanto, numa sociedade cada vez mais globalizada graças ao fenómeno da Internet e das redes sociais, não só a ignorância perante a realidade é cada vez menor, como a capacidade de mobilização daqueles que pretendem uma mudança é cada vez maior.

A novidade que Barack Obama trouxe à politica e ao Mundo foi uma nova forma de enfrentar os problemas, uma nova forma de comunicar com a sociedade e uma crença inabalável de que uma mudança é possível. Na minha opinião, a vitória de Obama foi uma vitória para humanistas, ambientalistas e activistas de todos os géneros, porque colocou na liderança da maior potência do Mundo alguém com a capacidade de ouvir a vontade dos povos e de agir conforme as necessidades destes, ao contrário do que foi a atitude e governação do seu antecessor. Foi esta capacidade de ruptura e de diferença que levaram à atribuição a Obama do Prémio Nobel da Paz, que apesar de precoce pela falta de obra realizada até então, serviu como forma de pressão e incentivo para que este cumpra as expectativas colocadas sobre ele.

Há que admitir no entanto que há uma grande diferença entre o mito e a realidade e por este motivo se explica a desilusão que surge já entre muitos dos que apoiaram Obama incondicionalmente. No fundo, um só homem não pode mudar o Mundo e certamente não de um dia para o outro. É necessário apoio, tempo e um combate feroz contra aqueles que retardam o progresso da Humanidade. Aqueles que agora criticam Obama deveriam lembrar-se que não é plausível desfazer em um ano e meio o que outro estragou durante oito anos. Deveriam também lembrar-se que não basta ficar sentados em casa à espera que outros resolvam os nossos problemas. Quem tem sede e fome de mudança deve lutar por ela activamente e acreditar que o mais pequeno dos contributos acumulado com os contributos de outros pode de facto fazer a diferença.

Neste sentido, será Obama a melhor esperança da Humanidade? Julgo que não, apesar de considerar que é definitivamente um actor importante neste momento de decisão critíca sobre o nosso futuro e um exemplo a seguir. Para mim, a melhor esperança da Humanidade é a própria Humanidade, que deve compreender que só com o esforço de todos podemos esperar um futuro melhor para todos. Assim, cabe a todos nós ser agentes desta mudança que se pretende, deste movimento da Humanidade para um novo patamar evolutivo, baseado na alteração e renovação das mentalidades.

Eu acredito que é possível. E você?

1 comentário:

Apolo disse...

Concordo. A esperança deve residir na humanidade per se e não apenas num homem, o qual, no entanto, frise-se, é um símbolo de mudança. Acredito que a mudança é a única constante da vida mas já chega de falar, vamos é fazer alguma coisa para melhorar a nossa vida, nem que isso implique "importar" políticos doutros países bem sucedidos, na certeza de que os actuais não ajudam o povo, só se ajudam a si próprios.


Um abraço,
Paulo Anjo